Aeee, finalmente mais um post sobre minha incrível viagem de Fevereiro. Mais um pouco e eu termino a descrição da saga. Em seguida darei início aos causos e aprendizados do meu intercâmbio em Cork e a incrível viagem que realizei com minha amiga Manoella por terras germânicas :). Também quero postar aqui algumas dicas mais específicas sobre os lugares que já visitei, bem como outras sugestões que podem ser bem úteis para os viajantes de plantão.
Agora, o que falar do meu último dia em Edimburgo? Primeiro que foi chuvoso, uma chuva que garantiu muitos chocolates quentes, massagem na cadeira do shopping e a busca constante por lugares fechados e quentinhos (felizmente eu havia deixado a visita aos museus para este dia :D).
Eu não sei se quem viaja muito tem a mesma impressão que eu mas, chega uma hora que todos os museus e igrejas parecem iguais. Acho que já comentei isso aqui no blog e também sobre a minha decisão de começar a pesquisar e conhecer mais sobre os lugares que decidir visitar antes da viagem, isso porque eu sinto uma tremenda diferença quando me deparo com alguma coisa que conheço, como por exemplo quando eu tive a oportunidade de ver ao vivo e à cores o quadro “A Liberdade Guiando o Povo” de Eugène Delacroix (acho que no National Museum em Londres). Foi uma sensação muito incrível e engraçada ao mesmo tempo, eu fiquei parada bem uns 10 minutos em frente ao quadro só porque já tinha uma conexão anterior com ele (fiz um trabalho na escola sobre o pintor e passei a admirá-lo pra caramba). Bizarro? Um pouco. Viajante? E não é o que eu sou??
Bem, voltando para Edimburgo, seus museus são incríveis (de verdade) e algumas peças em particular tocaram meu coração. Uma delas foi a imitação do túmulo da Rainha Mary (que comentei neste post aqui) e um quadro lindo de uma mãe brincando com seu bebê. O pintor captou de uma forma tão perfeita o momento que eu praticamente podia ver (e sentir) o amor da mãe por seu pequeno (o relógio biológico deu até uma fisgada nessa hora hahaha). Além destas obras em particular fiquei apaixonada pelos quadros que retratavam as paisagens da Escócia, a maioria eu considerei até melhor do que se fosse uma fotografia. A Escócia, e Edimburgo, tem no ar uma sensação de que tudo pode acontecer, uma magia que faz você ter vontade de colocar uma mochila nas costas e sair desbravando esse mundo até sentir que encontrou o seu lugar.
Saindo da parte artística, dei uma caminhada pelas áreas do museu mais dedicadas a tecnologia, onde meu nome foi escrito por um robô (sinistrooo) e onde eu tive a capacidade de perder a oportunidade de ver (e bater uma foto claro) da ovelha Dolly (sabe o primeiro clone da terra? Não, o primeiro não foi o da novela da Globo). Enfim, viu como uma pesquisa prévia faz diferença?
Continuando minhas andanças fui parar no Calton Hill, uma colina (eu e minhas subidas) situada no centro da cidade com alguns monumentos bem impressionantes como Nelson Monument, National Monument of Scotland, Dugald Stewart Monument e o City Observatory.
Mesmo com tantos monumentos bacanas, o que eu queria mesmo ver são as vistas. Aquelas vistas de um horizonte sem fim, de uma imensidão sem tamanho, de um caminho com muitas rotas. Tantos lugares, tantas pessoas, tantas culturas, tantas diferenças. Uma distância capaz de ampliar sua visão, de mostrar que talvez aquele problema nem seja tão difícil, que carregar aquela mágoa não vale tanto a pena, que o passado realmente ficou para traz e que agora você tem o hoje, o presente. E então seus olhos se dilatam e enxergam o mundo diante de si, uma visão tão pessoal, inexplicável e indescritível que aqui simplifico, ao dizer.... bela.
Sigo meu caminho, me despeço da contemplação e conheço outras partes da cidade. Procuro mil ângulos e tiro centenas de fotos do céu, da torre de nome Scott Monument, do Princes Street Gardens (que mesmo no inverno achei lindo) e vou seguindo cada vez mais deslumbrada, porque essa cidade é tão bonita? Eu ainda volto na primavera/verão. Aii, olha aquela nuvem e o pássaro e...tira mais uma foto.
Para fazer jus a minha visita a Escócia, é claro que não podia faltar o tour em alguma destilaria. Encontrei um tour bem legal perto do Castelo de Edimburgo, que possui a maior coleção de whisky escocês do mundo, cerca de 3500 garrafas diferentes. Bato foto, entendo o processo e bora para a melhor parte, a degustação. Explicação vem, explicação vai e vamos escolher o que provar. Opto por um uísque escocês que, segundo nosso guia, deveria ter um sabor de cereja ao fundo. Dou um gole razoável. Quase morro. Daí respiro. Tusso. Respiro mais um pouco. E eis que surge o feliz pensamento “mas cadê o bendito gosto da cereja??”. A você pessoa que toma uísque puro minha eterna admiração.
Logo depois de ter lançado mão de uma de minhas vidas, o guia nos leva a galeria onde podemos conferir a coleção de uísques. Mas, ao chegar lá o que é que nos espera? Bem no centro da sala uma mesa com uma jarra cheia de algo que o guia intitula “água especial” para ser adicionada ao uísque das infelizes criaturas que, como eu, não foram páreas para o “sabor cereja” do bendito. Minha alegria foi constatar que várias pessoas, inclusive homens, se dirigiram rapidamente a mesa para adicionar água e assim tornar a bebida mais “bebível”.
Cabeça “mais leve” e corpo cansado, volto para o hostel e deixo tudo preparado para Roma, a manhã seguinte será exclusiva em aeroportos. Acordo cedo, me arrumo e sinto um apertozinho no peito por deixar Edimburgo. Saio em direção ao aeroporto debaixo de uma garoa fina. Já no avião durante a decolagem, portanto com todos os equipamentos eletrônicos desligados, lanço um último olhar para a cidade já esperando o cenário cinzento, mas eis que bem nessa hora, numa feliz gentileza, uma parte das nuvens se abre e a luz do sol se espalha iluminando tudo, como numa daquelas cenas de filmes bíblicos que algo divino está acontecendo, então eu sorrio e gravo aquela imagem na mente e no coração. Eu nunca poderia ter imaginado ou pedido uma despedida tão especial. Fecho os olhos, agradeço e sinto o coração mais leve, Edimburgo fez sua despedida e Roma aguarda minha chegada.