Dormi como uma pedra e acordei como um passarinho feliz. A
vantagem de se dormir cedo e bem é que todo o cansaço vai se embora e você se
sente renovado para mais um dia de muita agitação.
Tomo um café reforçado, arrumo minhas coisas e já saio do
hostel para explorar outros cantos da cidade. Minha primeira parada é o “The
Circus” e o “Royal Crescent”, ambas ruas com arquiteturas muito bonitas.
Ao chegar no “Royal Crescent” fico em dúvida se estou no
lugar certo (a princípio eu havia entendido que esta era a construção de um
palácio ou algo do gênero) e resolvo confirmar com um senhor que estava passando.
Bem, esse senhor não só confirmou que eu estava no lugar certo como começou a
me dar uma aula sobre a história desta construção e da cidade em si. Foram
quinze minutos dedicados a uma estranha, num dia nublado e chuvoso, apenas para
garantir o entendimento sobre a importância do local.
Se fiquei chateada? De forma alguma, afinal não é sempre que
você consegue um guia sem pagar nada, não é mesmo?
Me despeço do meu guia e sigo meu caminho com um sorriso de
quem acaba de passar por algo muito bacana. Dou a volta pelo parque que fica em
frente ao Royal e me aventuro por uma rua diferente, hora de zanzolar.
Essa rua mostra a parte “dos fundos” das casas antigas e
mesmo com muros razoavelmente altos é possível vislumbrar alguns jardins e
passagens aqui e ali. Fico na expectativa de a qualquer momento uma criada abrir
o portão dos fundos para as compras do café da manhã. Viajo nesse mundo que
liga o passado ao presente e resolvo experimentá-lo ainda mais, volto para a “casa
da Jane Austen”.
| The Royal Crescent |
| Parque em frente |
| Fundos das casas |
Fui atendida por uma moça super simpática que me ofereceu
uma mesa em frente a um quadro do Mr. Darcy, o famoso cavalheiro de “Orgulho e
Preconceito”. Aceito a sugestão da moça
e escolho um típico chá inglês como almoço. Com todo o “isolamento” do lugar, a
moça vestida como uma criada do passado, todo o serviço de chá à minha frente e
a decoração ao meu redor, não foi difícil me transformar em uma dama da sociedade
por alguns momentos. O sorriso de
realização ficou registrado na foto :)
Hora de voltar ao mundo real. Digo adeus ao Mr Darcy, a
mocinha do restaurante e a Jane da porta e sigo adiante, vou visitar a “Bath
Abbey” (ou abadia de Bath). A Bath Abbey é uma das últimas catedrais medievais
da Inglaterra, só acho que esqueceram de mencionar que ela é também um
cemitério ambulante.
A fachada da catedral é de cair o queixo, assim como o são
as famosas catedrais espalhadas pela Europa. Não tem como deixar de se
impressionar com a capacidade humana ao entrar em um lugar desses. A
grandiosidade e o requinte da construção, em uma época em que nem energia
elétrica existia são uma prova física do potencial da nossa espécie.
Ao iniciar meu tour pelo interior da abadia, começo a ler as
placas que ocupam praticamente todas as paredes, também começo a reparar nas
placas espalhadas pelo chão sobre o qual estou pisando, e todas elas tem no
texto algo como “Próximo a esta inscrição está o corpo de...”, “Aqui está
enterrado o Sr...”, ué, mas isso não era uma igreja? Sem dificuldade esse lugar
deve ter mais de 500 corpos enterrados, pode ser só o vaso com o pó dos ossos,
mas que está por ali há isso está. Tem até o corpo de um senador americano,
olha como o pessoal é eclético.
Além do tour pela parte principal, também resolvo encarar os
212 degraus que nos separam da torre da igreja e proporcionam uma vista linda
da cidade. Subi, desci e não morri (viva a corrida!).
| Arquitetura |
| Corpos 1 |
| Corpos, corpos por todos os lugares |
| Visão da Torre |
| Olha as termas logo ao lado |
Saio da abadia em tempo de chegar no horário para o ônibus
que nos leva até Stonehenge. Durante a “viagem”, Stonehenge fica à pelo menos 1
hora de Bath, o guia vai nos mostrando outros pontos interessantes da
redondeza. Alguns deles não puderam ser vistos devido ao tempo nublado e cheio
de nuvens.
Ao chegarmos somos recepcionados por um espaço construído
para os visitantes do local, deste espaço até Stonehenge são mais 2 km ou 5
minutos com o ônibus do passeio.
E chegamos! Com a chuva, o vento frio e o tempo fechado a me
envolver encaro a formação de longe e de perto. O que posso dizer? Primeiro que
eu não sabia que esta “construção” na verdade é só um pedaço de algo muito
maior que está espalhado por toda a região. Que em uma fazenda “ao lado” surgiu
uma formação de “Crop Circles” (igual no filme Sinais), e que antes da
formação de Stonehenge ter começado, muitas outras “formações” foram iniciadas
antes, como um preparo para a construção final. É de arrepiar!
Ao adquirir o ingresso para a visita você também recebe um
audioguia para escutar a história e as descobertas deste monumento. Com uma boa
trilha sonora e um inglês dito em uma velocidade compreensível não foi difícil
ficar mais impressionada do que já estava. Mesmo com o vento frio acompanhado
de chuva, açoitando minha capa e me gelando os dedos da mão, resisti bravamente
e reservei alguns minutos para admirar toda a paisagem. Provavelmente nunca
iremos saber para o quê realmente serve essa construção, mas que o ar é
diferente e que todo o misticismo está por lá, é tão forte que chega a ser
palpável.
| Estamos em meio "ao nada" |
| Não parece um rosto? |
| Olha a pessoa encolhida por causa do frio |
Hora de dizer adeus, volto super rápido para o ônibus
quentinho e aproveito a volta tranquila para Bath com um sono restaurador.
Chegando em Bath, como um lanche rápido e vou para a estação
de trem, saio com vontade de ficar e me despeço da cidade com a promessa de
voltar.
Pode-se dizer que a volta para Londres foi tão confusa
quanto a ida mas no fim, que é o que importa, tudo deu certo e mais uma
aventura foi concluída, deixando um repertório de boas recordações.
Até breve!
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