quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Um encontro com Mr. Darcy e o mítico


Dormi como uma pedra e acordei como um passarinho feliz. A vantagem de se dormir cedo e bem é que todo o cansaço vai se embora e você se sente renovado para mais um dia de muita agitação.
Tomo um café reforçado, arrumo minhas coisas e já saio do hostel para explorar outros cantos da cidade. Minha primeira parada é o “The Circus” e o “Royal Crescent”, ambas ruas com arquiteturas muito bonitas.
Ao chegar no “Royal Crescent” fico em dúvida se estou no lugar certo (a princípio eu havia entendido que esta era a construção de um palácio ou algo do gênero) e resolvo confirmar com um senhor que estava passando. Bem, esse senhor não só confirmou que eu estava no lugar certo como começou a me dar uma aula sobre a história desta construção e da cidade em si. Foram quinze minutos dedicados a uma estranha, num dia nublado e chuvoso, apenas para garantir o entendimento sobre a importância do local.
Se fiquei chateada? De forma alguma, afinal não é sempre que você consegue um guia sem pagar nada, não é mesmo?
Me despeço do meu guia e sigo meu caminho com um sorriso de quem acaba de passar por algo muito bacana. Dou a volta pelo parque que fica em frente ao Royal e me aventuro por uma rua diferente, hora de zanzolar.
Essa rua mostra a parte “dos fundos” das casas antigas e mesmo com muros razoavelmente altos é possível vislumbrar alguns jardins e passagens aqui e ali. Fico na expectativa de a qualquer momento uma criada abrir o portão dos fundos para as compras do café da manhã. Viajo nesse mundo que liga o passado ao presente e resolvo experimentá-lo ainda mais, volto para a “casa da Jane Austen”. 
The Royal Crescent

Parque em frente

Fundos das casas
Como mencionei o “Jane Austen Centre” possui um típico restaurante/café inglês. No entanto, em minha visita no dia anterior o local estava muito cheio e resolvi não esperar. Hoje, ao chegar tão cedo, encontro ele vazio. Se me senti intimidada? Muito pelo contrário, mergulhei com tudo na oportunidade.
Fui atendida por uma moça super simpática que me ofereceu uma mesa em frente a um quadro do Mr. Darcy, o famoso cavalheiro de “Orgulho e Preconceito”.  Aceito a sugestão da moça e escolho um típico chá inglês como almoço. Com todo o “isolamento” do lugar, a moça vestida como uma criada do passado, todo o serviço de chá à minha frente e a decoração ao meu redor, não foi difícil me transformar em uma dama da sociedade por alguns momentos.  O sorriso de realização ficou registrado na foto :)


Hora de voltar ao mundo real. Digo adeus ao Mr Darcy, a mocinha do restaurante e a Jane da porta e sigo adiante, vou visitar a “Bath Abbey” (ou abadia de Bath). A Bath Abbey é uma das últimas catedrais medievais da Inglaterra, só acho que esqueceram de mencionar que ela é também um cemitério ambulante.
A fachada da catedral é de cair o queixo, assim como o são as famosas catedrais espalhadas pela Europa. Não tem como deixar de se impressionar com a capacidade humana ao entrar em um lugar desses. A grandiosidade e o requinte da construção, em uma época em que nem energia elétrica existia são uma prova física do potencial da nossa espécie.
Ao iniciar meu tour pelo interior da abadia, começo a ler as placas que ocupam praticamente todas as paredes, também começo a reparar nas placas espalhadas pelo chão sobre o qual estou pisando, e todas elas tem no texto algo como “Próximo a esta inscrição está o corpo de...”, “Aqui está enterrado o Sr...”, ué, mas isso não era uma igreja? Sem dificuldade esse lugar deve ter mais de 500 corpos enterrados, pode ser só o vaso com o pó dos ossos, mas que está por ali há isso está. Tem até o corpo de um senador americano, olha como o pessoal é eclético.
Além do tour pela parte principal, também resolvo encarar os 212 degraus que nos separam da torre da igreja e proporcionam uma vista linda da cidade. Subi, desci e não morri (viva a corrida!). 
Arquitetura

Corpos 1

Corpos, corpos por todos os lugares

Visão da Torre


Olha as termas logo ao lado
Saio da abadia em tempo de chegar no horário para o ônibus que nos leva até Stonehenge. Durante a “viagem”, Stonehenge fica à pelo menos 1 hora de Bath, o guia vai nos mostrando outros pontos interessantes da redondeza. Alguns deles não puderam ser vistos devido ao tempo nublado e cheio de nuvens.
Ao chegarmos somos recepcionados por um espaço construído para os visitantes do local, deste espaço até Stonehenge são mais 2 km ou 5 minutos com o ônibus do passeio.
E chegamos! Com a chuva, o vento frio e o tempo fechado a me envolver encaro a formação de longe e de perto. O que posso dizer? Primeiro que eu não sabia que esta “construção” na verdade é só um pedaço de algo muito maior que está espalhado por toda a região. Que em uma fazenda “ao lado” surgiu uma formação de “Crop Circles” (igual no filme Sinais), e que antes da formação de Stonehenge ter começado, muitas outras “formações” foram iniciadas antes, como um preparo para a construção final. É de arrepiar!
Ao adquirir o ingresso para a visita você também recebe um audioguia para escutar a história e as descobertas deste monumento. Com uma boa trilha sonora e um inglês dito em uma velocidade compreensível não foi difícil ficar mais impressionada do que já estava. Mesmo com o vento frio acompanhado de chuva, açoitando minha capa e me gelando os dedos da mão, resisti bravamente e reservei alguns minutos para admirar toda a paisagem. Provavelmente nunca iremos saber para o quê realmente serve essa construção, mas que o ar é diferente e que todo o misticismo está por lá, é tão forte que chega a ser palpável.

Estamos em meio "ao nada"




Não parece um rosto?


Olha a pessoa encolhida por causa do frio


Hora de dizer adeus, volto super rápido para o ônibus quentinho e aproveito a volta tranquila para Bath com um sono restaurador.
Chegando em Bath, como um lanche rápido e vou para a estação de trem, saio com vontade de ficar e me despeço da cidade com a promessa de voltar.
Pode-se dizer que a volta para Londres foi tão confusa quanto a ida mas no fim, que é o que importa, tudo deu certo e mais uma aventura foi concluída, deixando um repertório de boas recordações.


Até breve!

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